domingo, 21 de março de 2010

Outono

No outono as folhas caem, o céu de abril, logo pela manhã é mais azul que olhos da minha pequena!
No outono a esperança renasce, remexe, salva a alma da "negrura" de tempesades de verão que devastaram dias, cidades, vidas, sonhos!
No outono a poesia ganha do lirismo das flores da primavera!
No outono, o coração reverbera a música que embala o beijo, que embala o berço, salva o dia!
E nele eu ganho, eu peco, eu quero!
Nele quero, como numa canção, o amor que aprendi com meus pais!
Nele quero canção, dança de mãos dadas, caminhos lentos e ums óculos escuros pra me proteger da luz milagrosa desses dias, além da lentes que corrigem a miopia, pra não perder nada!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Olhos verdes:



Roda Viva
Chico Buarque


Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...


Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...


A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...


Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...


Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...


O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...


Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...



Marina, valeu pela lembrança!
Tem dias que a gente se sente assim: "querida"!
Beijo

sábado, 6 de março de 2010

Algumas coisas a gente aprende no amor! Mamãe dizia que é bem melhor...
Outras tantas (grande parte) a gente aprende é na dor mesmo, lutando até o fim!
Outras a gente aprende numa ou outra inspiração, afeição, rejeição, sopro ou pensamento...
Eu vivo aprendendo, vivo pra aprender mesmo!
Meu DEUS! E haja mundo pra esse tanto de gente diferente...

tem luz que brilha forte de noite e de dia!



Crua
Otto

Há sempre um lado que pese e um outro lado que flutua.
Tua pele é crua.
Há sempre um lado que pese e um outro lado que flutua.
Tua pele é crua.
Dificilmente se arranca lembrança, lembrança, lembrança, lembrança...
Por isso da primeira vez dói, por isso não se esqueça: dói.
E ter que acreditar num caso sério e na melancolia que dizia.
Mas naquela noite que eu chamei você fodia. fodia.
Mas naquela noite que eu chamei você fodia de noite e de dia.
Há sempre um lado que pese e um outro lado que flutua.
Tua pele é crua. É crua.
Há sempre um lado que pese e um outro lado que flutua.
Tua pele é crua. É crua.
Dificilmente se arranca lembrança, lembrança, lembrança, lembrança...
Por isso da primeira vez dói, por isso não se esqueça: dói.
E ter que acreditar num caso sério e na melancolia que dizia.
Mas naquela noite que eu chamei você fodia de noite e de dia.
Mas naquela noite que eu chamei você fodia. fodia.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Clássicos não morrem!

foto: Cristiano Abdanur


Eu e a Brisa
Composição: Johnny Alf

Ah, se a juventude que essa brisa canta

Ficasse aqui comigo mais um pouco

Eu poderia esquecer a dor

De ser tão só

Prá ser um sonho
E aí, então, quem sabe alguém chegasse

Buscando um sonho em forma de desejo

Felicidade então prá nós seria
E depois que a tarde nos trouxesse a lua

Se o amor chegasse eu não resistiria

E a madrugada acalentaria a nossa paz
Fica, oh, brisa fica, pois talvez quem sabe

O inesperado faça uma surpresa

E traga alguém que queira te escutar

E junto a mim queira ficar...

Pra curtir: http://www.youtube.com/watch?v=d8qKc39Z_kY

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Bichos

O Cansaço é um vírus que pesa como um elefante, mas que se move sem som pelo ar e cabe dentro da gente, às vezes nas pernas, às vezes nas costas, às vezes em cada fibra. Se o cansaço tiver uma cor, é cinza escuro.

O Amor é um passarinho que canta baixinho e lindo, que pousa na mão da gente, mas que no primeiro gesto brusco voa e deixa no lugar o ovo gigante de um outro bicho chamado Tristeza. O amor quando chega é de um amarelo bem claro, mas muda sempre de cor.

A Tristeza é um tipo de sanguessuga, que esvazia a gente e que engole horizontes. Muda de tamanho e se encolhe e mesmo que pareça ter ido embora, sempre pode voltar de repente. Tem a cor do vazio.

A Palavra é um bichinho que se deve guardar muito bem, porque quando escapa se metamorfoseia e chega diferente no outro. Palavra quando sai e volta, sempre retorna outra. Sua cor são todas.

O Futuro é um bicho que jamais existe e que a gente insiste em tentar enxergar e se convencer de que vai ser diferente. O grande segredo do Futuro é fazer parecer que está lá quando na verdade ele já passou. A cor do Futuro é aquela que a gente nunca vai encontrar.

Texto do Maurilo Andreas do Pastelzinho ai do lado!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Próxima faixa:

Talvez eu não seja poeta
Pablo Bertola

Talvez eu não seja poeta
Talvez eu só traga uma seta
Cravada no peito que espeta
Quando a vida é curta
E a alegria é pouca
Quando busco uma reta na estrada torta
Talvez eu não seja poeta
Só traga no peito cravada uma faca
Que dilacera
Quando abro a janela
E a natureza é morta
Quando o grito é frágil
E a justiça é surda
Talvez eu não seja poeta
Só traga no peito uma ferida aberta
Que aperta
Quando a ilusão me visita
Quando a palavra exata escapa
E jamais é escrita
Talvez eu só seja um romântico
Nesses dias de luta
Com um gemido discreto
Atado à garganta
E um grito lunático que ninguém escuta
-
Composição: Pablo Bertola, Ronaldo Rousset e Lido Loschi
Pra curtir: Só ao vivo, e eu tive o privilégio de ver Milton Nascimento cantando!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Na era do /cd/!



O Amor Ruiu


O amor na relva
O amor no chão
Na rede, no ramo de flor
O amor suado, cansado
O amor na sala,
O amor no chão
No viço do riso falso
No ato falho
No raso das rimas o amor dormiu
O amor roncou
Rosnou de ranzinza
Ralhou, rompeu com a razão
Rasgou o ramo, rede, flor
Pulou a cerca, rasgou o coração
Rapaz.
O amor de tanto ranço
Rodou a baiana
Roxo de raiva roeu a roupa do rei
Partiu
Rapaz
O amor que horror
O amor ruiu


(Composição: Pablo Bertola, Ronaldo Rousset e Lido Loschi)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

_Entre palavras, olhares e gestos, eu fico com as provas! Do amor ao desamor.

"A gente não faz amigos, reconhece-os".
(Vinícius de Moraes)

Poética

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O leste é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.

(Vinícius de Moraes)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

VENDa(i)DOS


De Frente Pro Crime
João Bosco


Tá lá o corpo
Estendido no chão
Em vez de rosto uma foto
De um gol
Em vez de reza
Uma praga de alguém
E um silêncio
Servindo de amém...
O bar mais perto
Depressa lotou
Malandro junto
Com trabalhador
Um homem subiu
Na mesa do bar
E fez discurso
Prá vereador...
Veio o camelô
Vender!
Anel, cordão
Perfume barato
Baiana
Prá fazer
Pastel
E um bom churrasco
De gato
Quatro horas da manhã
Baixou o santo
Na porta bandeira
E a moçada resolveu
Parar, e então...
Tá lá o corpo
Estendido no chão
Em vez de rosto uma foto
De um gol
Em vez de reza
Uma praga de alguém
E um silêncio
Servindo de amém...
Sem pressa foi cada um
Pro seu lado
Pensando numa mulher
Ou no time
Olhei o corpo no chão
E fechei
Minha janela
De frente pro crime...
Veio o camelô
Vender!
Anel, cordão
Perfume barato
Baiana
Prá fazer
Pastel
E um bom churrasco
De gato
Quatro horas da manhã
Baixou o santo
Na porta bandeira
E a moçada resolveu
Parar, e então...
Tá lá o corpo
Estendido no chão...